21 de maio de 2012

40 anos de Versailles no Bara!!

Riyoko Ikeda tinha 24 anos quando começou a escrever a história de Maria Antonieta. Ela queria mostrar esta jovem rainha, assim como O Palácio de Versalhes. Há 40 anos a mangaká deu origem a Versailles no Bara (ベルサイユのばら), um título que fez mergulhar milhares de leitores na trajetória da Revolução Francesa.

A Rosa de Versalhes foi o primeiro mangá histórico direcionado para o público feminino. E o cenário que engloba grande parte da história, Le Château de Versailles, ficou mais conhecido no Japão graças a Riyoko. Ainda hoje a obra clássica de Ikeda é sucesso de público e crítica. Eu a considero atemporal. Com certeza Oscar François marcou e marcará muitas gerações.

Tive o primeiro contato com o título através do anime, que se destaca pelo ímpar traço de Shingo Araki e Michi Himeno. Só consegui ter acesso ao mangá no ano passado, no idioma original das personagens. Ao ler o quadrinho, tornou-se quase impossível distinguir a criação dos acontecimentos históricos, a autora entrelaçou-os harmonicamente.

O triunfo de La Rose de Versailles é devido a sua história de qualidade, arte e por materializar os eventos e sentimentos. Deixo registrada minha homenagem a esse incrível mangá que incentivou “rosas” a tomar as rédeas do seu destino.

20 de maio de 2012

La Rose de Versailles [Vol. 1, 2 e 3] – Riyoko Ikeda


Versailles no Bara (ベルサイユのばら) é um dos clássicos mangás shoujo mais conhecidos no ocidente. Na França o quadrinho foi relançado em uma versão especialmente caprichada celebrando antecipadamente os 40 anos da obra de Riyoko Ikeda. Uma oportunidade de ouro para ler e ter na coleção um imponente clássico.

A inspiração da autora veio da obra de Stefan Zweig, que contribuiu para despertar seu interesse pela figure de Maria Antonieta. Ikeda comenta que os eventos em La Rose de Versailles foram inspirados no livro do escritor austríaco. Inicialmente o foco seria a trajetória da ultima rainha da França, mas ao desenvolver o projeto do mangá, ela criou personagens e histórias que seriam capazes de atrair o público.

Um detalhe curioso e que vale ser destacado, é o título. Segundo a autora, não se trata somente “da rosa”, mas “das rosas”. Assim como as cores da flor que estão associadas a um significado diferente, “as rosas” de Versailles no Bara são representadas da mesma forma. Na França o título foi traduzido literalmente do original, mas atingiria melhor a idéia da Riyoko no plural “Las Roses...”.

Na época de produção, a mangaká passou por muitos desafios até finalizá-lo. A primeira barreira foi convencer os redatores que um shoujo histórico poderia ser uma grande aventura. Ela ouviu frases desestimulantes e desagradáveis de seus colegas de trabalho, afirmando sem nenhum embasamento, que garotas não se interessavam por história. Riyoko provou totalmente o contrário, chegando ao seu limite físico e mental.

No Japão, A Rosa de Versalhes foi publicado durante 82 semanas, da primavera de 1972 ao outono de 1973. Foram vendidos 12 milhões de exemplares. Estimuladas pela riqueza histórica do mangá, suas leitoras buscaram por mais informações lendo livros sobre a Revolução Francesa e trocando idéias com seus professores de história. Sucesso imediato e que perdura até hoje.

Os franceses têm um carinho muito especial por La Rose de Versailles, pois retrata um dos períodos mais importante da história da França. Em sua visita ao Palácio de Versalhes, no ano passado, Ikeda recebeu o título de “Chevalier de la Légion D'honneur” (Cavaleiro da Legião de Honra). A condecoração honorífica francesa é uma recompensa aos méritos eminentes militares ou civis à nação, instituída em maio de 1802 por Napoleão Bonaparte.

Seus personagens históricos e fictícios são marcantes pela complexidade. Todos foram minuciosamente construídos dentro dos fatos. É fenomenal ver como as personagens evoluem ao passar da trama e conseguem impor presença na trajetória verídica.

Maria Antonieta, uma figura histórica odiada, Riyoko a representa como uma rainha carinhosa e insegura. Mas não deixando de mostrar cronologicamente os erros que Antonieta cometeu no mundo da política e na época dos escândalos que terminou por afastá-la do povo.

Mesmo tendo antipatia por Maria Antonieta, ela não foi à única responsável pelas ações que provocaram o desmoronamento da França. Luís XVI negligenciava os seus deveres reais a favor da caça e do tempo passado na sua oficina de serralharia. Os nobres viviam de banquetes e muito luxo na corte. Os impostos eram pagos somente pelos trabalhadores, camponeses e a pequena burguesia comercial com o objetivo de manter os luxos da nobreza. A corte francesa sugava sem dó um povo miserável.

Oscar François de Jarjayes, 6ª filha do General de Jarjayes (personagem baseado na figura histórica de François Régnier de Jarjayes). Foi criada como um menino a fim de seguir a tradição familiar. Oscar estudou a arte do sabre, estratégia e política, tornando-se uma perfeita capitã da guarda real. A autora revela que Oscar foi inspirada em várias figuras masculinas da época, assim como na sua personalidade e experiência pessoal.

Para mim, Oscar é a grande protagonista da série. Uma rosa branca profunda e reservada, que representou a ruptura do gênero. Ela conduz sua vida, decide ser soldado, tem senso de humor, contesta o pai, se interessa pelas idéias iluministas, e é ela quem convida André para ir ao seu quarto ter uma noite de amor. Uma personagem que apresenta consciência em perceber erros e ir a favor da maré de seus ideais, mesmo que para isso se afaste das pessoas queridas. Ela é sincera consigo mesma e com o povo.

Desde pequena Oscar cresceu ao lado de André Grandier, o plebeu neto da governanta que serve a família Jarjayes há anos. Os dois construíram uma amizade solida que foi se transformando em amor. A paixão despertada derruba qualquer preconceito de classe. O afeto que André sente por Oscar é puro e intenso. Sou suspeita pra falar dele, já que sou apaixonada por essa personagem.

Ikeda pede desculpas pelos erros cometidos no uniforme da guarda francesa, que são na verdade da guarda real. Ela revela que não pôde modificar na época por não ter recebidos os documentos a tempo. O característico uniforme de Oscar data do começo do século XIX, da época de Napoleão. A autora revela que escolheu este uniforme pelo aspecto estético.

Acredito que a popularidade de La Rose de Versailles seja devido à naturalidade da união de Oscar e André, mostrando um romance adulto entre iguais; arte impar; narrativa lírica e dramática; a riqueza dos detalhes históricos; e por retratar através de suas personagens femininas as inquietações das mulheres de sua geração, incentivando-as a tomar o controle de sua consciência.

O diferencial desta edição comemorando os 40 anos foi à inclusão do gaiden La Comtesse en Noir (黒衣の伯爵夫人), publicado em fevereiro de 1974, que conta a história de terror da condensa vampiresca. E também reunindo quatro aventuras da sobrinha de Oscar, Loulou de la Rolancy, no volume 3.

Assim como a “História” que nunca envelhece, a obra atemporal de Riyoko Ikeda é respeitada por japoneses e estrangeiros. E mesmo hoje em dia, depois de todos esses anos, a criadora ainda receber cartas de fãs do mundo inteiro. Versailles no Bara foi revolucionário por mostrar “rosas” independentes e fieis aos seus próprios ideais. Um símbolo da juventude da mangaká. Uma obra que viverá em nossos corações por se mostrar intacta ao tempo.

18 de maio de 2012

Comentando: Saint Seiya Ômega #7

O torneiro segue e chegamos as oitavas de final. Para a surpresa de Ichi, Kôga e Sôma estão entre os selecionados. De antemão, somos informados que os amigos se enfrentarão na segunda luta. Os dois estão empenhados em vencer, e ao longo do episódio vemos o esforço de ambos. Achei essencial mostrar certa tensão que eles sentiram por ter como adversário um companheiro que sabe de seus propósitos.

No entanto, o clima entre eles tem seu lado descontraído, e na disputada refeição, ao se engasgar com um pedaço generoso de carne, Kôga bebe um copo de chá amargo. Ryuho explica que o chá é feito por sua mãe e tem como efeito eliminar o cansaço. E complementa dizendo que Shunrei fazia esse mesmo chá para o seu pai superar a fadiga do árduo treino. Depois desta breve curiosidade, Leão Menor e Pégaso continuam na cômica e infantil discussão de quem será o vitorioso.

Enquanto Kôga treina na noite de céu estrelado, lembranças recentes dos objetivos de Sôma e Ryuho vieram à tona. O jovem não conhece seu pai, mas recorda das pessoas importantes que cuidaram dele e comenta que Shaina é mais severa que muitos pais (*é verdade! XD*). De imediato o nome de Seiya é dito. O que aumenta a suspeita dele ser filho do lendário cavaleiro. Geki aparece e começa a dar alguns conselhos, mas é obrigado a estender a conversa com as perguntas feitas por seu aluno. A resposta do professor nos encaminhou para uma rápida volta ao passado, na sua luta contra Seiya (e cenário levemente distorcido), dizendo seus feitos e qualidades, que serviram de inspiração para o jovem protagonista. (...) Neste exato momento, a amazona sente um mau pressentimento.

Pegasus Ryuseiken: golpe característico e mais utilizado por Seiya de Pégaso.

A primeira luta das oitavas é de Yuna de Áquila Vs. Guney de Delfin. Antes de ela entrar na arena, o curioso Kôga pergunta a razão dela quer vencer a Batalha dos Cavaleiros. Sua resposta é direta: tornar-se uma guerreira poderosa para não perder mais nada. Espero que seu passado seja um pouco mais explorado. Ela segue para o combate, vestindo sua armadura, o que me lembrou imediatamente das transformações de Sailor Moon. Tudo muito fofo e lindo, mas descaracterizado. Enfim, diferente da pacata luta do episódio anterior, esta foi boa, mesmo sendo unicamente um arremessar de elementos.

Seguimos para a próxima luta, Kôga de Pégaso contra Sôma de Leão Menor. Assim como Ryuho, eu também esperava por um bom combate. E foi exatamente o que aconteceu, na verdade essa foi uma das lutas mais elaboradas. Teve a junção dos golpes de punho, característicos da série clássica, e a utilização dos elementos, nova forma de poder que está sendo apresentado em Ômega. A união do antigo com o novo foi harmônica, mesmo que as sequências tenham sido leves. Pégaso conclui o combate com um belo Pegasus Ryuseiken! Com direito a melodia “Pegasus Ryuseiken” dando o tom da vitória.

O Diretor que assistia atentamente as oitavas de final da Batalha dos Cavaleiros é avisado que Athena está a caminho para a Palaestra. A cena segue com a imitação na versão angelical da carruagem conduzida pelos espectros de Pandora em The Lost Canvas. O design da carruagem da Deusa da Sabedoria está bonito por sinal (^_^). Há, e nem precisa ler spoiler pra adivinhar que essa Athena é uma farsa.

Mesmo perdendo alguns minutos com as várias exibições das transformações, o 7ª episódio foi legal. O character design e a movimentação estavam bacanas. Meu destaque é a luta entre os parceiros, que acredito tenha animado pelo menos um pouco o animo dos expectadores brasileiros que estão insatisfeitos com Ômega.

Para conferir as resenhas dos episódios anteriores clique #01, #02, #03, #04, #05 e #06.

10 de maio de 2012

Comentando: Saint Seiya Ômega #6

Os aprovados para a Batalha dos Cavaleiros estão ansiosos e treinando para conseguir chegar até as finais. Enquanto isso, os alunos não selecionados, apostam nos seus *cof, cof* dois preferidos, Eden e Ryuho. Caso o torneio não seja interrompido, aposto no Pégaso 8D. Kôga como sempre está confiante de sua vitória. Gosto deste lado positivo e ao mesmo tempo infantil dele. Sonhar faz bem (^^).

Não entendi a atitude sem noção de Kôga ficando na frente de Eden, e falando aquelas baboseiras (O_o). Afirmar repetitivamente que ele tem que ganhar o torneiro para ter uma audiência com Athena é desnecessário e acaba ficando cansativo. Convenhamos, Ômega já tem diálogos superficiais, mas torná-los ‘Ctrl C + Ctrl V’ só empobrece a série.

Algumas poucas informações sobre o futuro companheiro do grupo é apresentada. Órion domina o elemento Trovão e sua força excede sua categoria. Na teoria o elemento Vento teria vantagem para os usuários do Trovão. Entretanto, toda regra tem exceção, já que ele derrota Dali de Coroa Boreal com um só golpe. (...) Só por curiosidade: por que Eden tem a farda diferente de seus colegas? Caso não seja o fardamento, e ele esteja à paisana, por que ele não usa uniforme?

Arena da Batalha dos Cavaleiros. 

As lutas de Sôma e Eden não são mostradas, mas comentadas rapidamente. A única disputa que assistimos é a de Kôga. O primeiro adversário do protagonista é Fukku de Compasso. Devo ressaltar que o character design do Cavaleiro de Compasso dá pena pela grosseria e falta de dimensão da vestimenta. Enfim, Pégaso quase perde o duelo, pois só conseguia almejar o fim, desatento na trilha que o levaria até lá. As dicas de Fukku fizeram Kôga notar o erro que o impediria de prosseguir.

Ao ver a prévia deste episódio, fiquei com receio de que as lutas do torneio seriam estilo Pokémon. Cada adversário arremessando um golpe inspirado no seu elemento. Felizmente não foi assim. Porém o combate foi horrivelmente mal planejado, sem quadros de movimentação, e a animação descaracterizando o interessante traço de Yoshihiko Umakoshi.

Além disso, não vi ordem nas cenas, tudo foi jogado. Por exemplo, no momento da luta do Leão Menor, Kôga receoso, fica aguardando a conclusão do duelo. A transição do passar do tempo não existiu. O frame seguinte já mostrava Pégaso em outro lugar no banco, seguindo com a vinda de seu amigo ferido, mas vitorioso.

Revelo que foi sacal resenhar o sexto episódio. Em termos técnicos, a animação deixa a desejar, os diálogos são limitados e o combate é desinteressante (U_U). Mas, teve alguns detalhes simpáticos, como o visual clean da arena, e o placar artesanal contendo o nome dos participantes, que na conclusão da luta cai o estandarte do derrotado.

Para conferir as resenhas dos episódios anteriores clique #01, #02, #03, #04 e #05.